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Devo usar Finasterida para combater a calvície?

Medicamento famoso por frear a queda dos fios, a Finasterida tem seus prós e contras. Apesar de ser considerado padrão ouro no tratamento da alopecia androgenética masculina, sua lista de efeitos colaterais pode desencorajar. Conheça mais sobre esse medicamento e os tratamentos alternativos.

Embora inúmeros produtos prometam combater a calvície, o órgão máximo de regulação de medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, o FDA (Food and Drug Administration), aprova apenas três tratamentos para a queda capilar que podem ser realizados em casa com segurança: uso tópico do minoxidil, fotobiomodulação (ou LEDterapia e LLLT – Low Level Light Therapy) e a popular Finasterida (medicação por via oral).

Esse medicamento é o mais famoso método para frear a queda dos fios e, segundo a tricologista Dra. Mabe Gouveia, membro da International Dermatoscopy Society, é considerado padrão ouro no tratamento da alopecia androgenética masculina, principalmente dos 18 aos 35 anos. Apesar disso, lembre-se sempre: todo tratamento para queda capilar deve começar com uma visita a um médico dermatologista ou tricologista (área da Dermatologia que é especializada em cabelos). Como veremos a seguir, a Finasterida pode não ser indicada em muitas situações e seus efeitos colaterais são extensos.

Qual a ação da Finasterida?

Primeiro de tudo, é necessário entender basicamente por qual motivo ocorre a queda de cabelo. De acordo com a dermatologista Dra. Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a alopecia androgenética é resultado da estimulação dos folículos pilosos por hormônios masculinos que começam a ser produzidos na adolescência (testosterona). “Ao atingir o couro cabeludo de pacientes com tendência genética para a calvície, a testosterona sofre a ação de uma enzima, a 5-alfa-redutase, e é transformada em di-hidrotestosterona (DHT). É a DHT que vai agir sobre os folículos pilosos promovendo a sua diminuição progressiva a cada ciclo de crescimento dos cabelos, que vão se tornando menores e mais finos, até a calvície”, afirma.

A Finasterida é um medicamento destinado a inibir a queda capilar e recuperar algumas áreas que já sofreram rarefação (esvaziamento de fios). “Ela tem como mecanismo de ação a diminuição da ação da enzima 5-alfa-redutase (que é responsável por converter o hormônio testosterona em di-hidrotestosterona ou DHT) e através do seu bloqueio ou diminuição de ação, não ocorre essa conversão, que é a causa principal de queda de cabelo de padrão masculino”, afirma a tricologista. “A Finasterida baixa os níveis de DHT e, desta maneira, ajuda a reverter o processo da calvície, levando ao aumento do crescimento capilar e à prevenção de perdas adicionais de cabelo”, acrescenta a Dra. Mabe Gouveia.

Apesar de ser um medicamento, a Finasterida pode ser adquirida sem prescrição médica. Mas esse não é definitivamente um bom negócio, uma vez que a queda capilar pode ser causada por outros fatores, como deficiência de Vitamina D ou anemia ferropriva, por exemplo; além disso, existe uma extensa lista de efeitos adversos, que devem ser discutidos na relação médico-paciente.

A Finasterida tem efeitos colaterais?

Sim e não são poucos, apesar de raros. De acordo com a Dra Mabe Gouveia, os efeitos colaterais são: diminuição da libido, disfunção erétil, diminuição do volume do ejaculado, dor nos testículos, aumento da sensibilidade de mamas, ginecomastia (aumento do crescimento das mamas), edema labial, erupções cutâneas, depressão, perda de memória, diminuição da massa muscular e ansiedade. De acordo com a própria bula do medicamento, um pequeno número de homens (ocorre entre menos de 10% dos pacientes que utilizam este medicamento) pode sentir menos desejo de manter relações sexuais e/ou dificuldade na obtenção de uma ereção. “Um número ainda menor (ocorre entre 0,1% e 1% dos pacientes que utilizam este medicamento) pode ter uma redução na quantidade de sêmen liberada durante a relação sexual (isto não parece interferir na função sexual normal). Nos estudos clínicos, estes efeitos adversos desapareceram em homens que pararam de tomar finasterida e em muitos homens que continuaram o tratamento”, diz a bula.

Apesar de não ter como se precaver desses efeitos adversos, principalmente com relação à perda de libido, a tricologista afirma que o médico deve solicitar espermograma e PSA total e livre antes do início da medicação, apenas para controle.

Mulheres podem usar Finasterida?

Estranhou que o post até aqui só fala em “androgenética masculina” e efeitos adversos relacionados a homens? Pois é, esse medicamento é contraindicado para mulheres. “A Finasterida não deve ser utilizada em mulheres em período fértil, pois há o risco de má-formação fetal e genitália ambígua”, diz a tricologista. Além disso, gestantes ou mulheres que desejam engravidar devem suspender o contato com o remédio, ou seja, não é indicado manusear o medicamento ou ter relações sexuais com homens que o consomem.

A informação da contraindicação para mulheres e crianças consta inclusive na bula do medicamento. “Mas existe o uso off label para mulheres no pós-menopausa, embora os resultados para elas não sejam tão animadores como nos homens”, afirma a Dra. Mabe.

Segundo estudo publicado em janeiro de 2018 no International Journal of Trichology, as doses femininas devem ser maiores (5mg/dia enquanto os homens usam 1mg/dia) e uma em cada cinco pacientes pré-menopausa que fez uso da medicação teve efeitos colaterais três meses após o início da Finasterida, dentre eles: redução de libido, mastalgia (dor nas mamas) e hirsutismo (aumento da quantidade de pelos na mulher em locais comuns ao homem).

Devo usar Finasterida?

Embora seja uma medicação utilizada há muitos anos no combate à calvície, muitas pessoas têm buscado outros métodos de tratamento em conversa com médicos. E um dos métodos alternativos de maior sucesso para o tratamento da queda capilar é a LEDterapia ou LLLT (Low Level Light Therapy), uma luz de LED de baixa intensidade, que pode ser usada sozinha, em conjunto com a Finasterida e/ou Minoxidil ou outros tratamentos. E o melhor: em casa.

Equipamentos como o boné Capellux ou o capacete Capellux i9, em menos de 15 minutos diários, ajudam no tratamento da queda capilar, ao emitirem a luz vermelha, que fornece energia para as células – o que colabora diretamente para a nutrição e saúde dos folículos, estimulando o crescimento dos fios. Essa luz vermelha no comprimento de 660 nanômetros fornece energia, na medida em que a estrutura celular localizada nas membranas da mitocôndria (pulmão das células) são estimuladas a produzir mais ATP (energia). “Com mais energia e nutrientes, as células operam em condições otimizadas no desempenho de suas funções, o que promove um aumento da quantidade e volume dos fios, que também ficam mais grossos”, explica o dermatologista Dr. Jardis Volpe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. O procedimento é confortável e não há aquecimento da pele. Além disso, as vantagens são inúmeras: não apresenta efeitos colaterais relevantes, traz bons resultados a longo prazo e pode potencializar a ação de medicamentos tópicos como o minoxidil.

Se você sofre com queda capilar, procure um médico: quanto mais cedo você fizer isso, melhores serão os resultados.

Fontes consultadas:

Dra. Mabe Gouveia

Dermatologista e tricologista da Clínica Valéria Marcondes. Graduada em Medicina pelas Universidade de Uberaba, Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Clínico Cirúrgica e Membro da International Dermatoscopy Society.

Dra. Claudia Marçal

É médica dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da American Academy Of Dermatology (AAD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). É speaker Internacional da Lumenis, maior fabricante de equipamentos médicos a laser do mundo; e palestrante da Dermatologic Aesthetic Surgery International League (DASIL). Possui especialização pela AMB e Continuing Medical Education na Harvard Medical School. É proprietária do Espaço Cariz, em Campinas – SP.

Dr. Jardis Volpe

Dermatologista; Diretor Clínico da Clínica Volpe (São Paulo). Formado pela Universidade de São Paulo (USP); Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia; Membro da Sociedade Americana de Laser, da SBD e da Academia Americana de Dermatologia; Pós-graduação em Dermatocosmiatria pela FMABC; Atualização em Laser pela Harvard Medical School.

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